Desapegar é preciso... das coisas também

Mudar de país definitivamente é diferente de mudar de bairro ou de cidade, principalmente se você não pretende ou não tem condições de manter um imóvel no seu local de origem. Esse é o nosso caso, temos um apartamento mas não temos condições de manter ele desocupado ao nosso bel prazer. Nossa opção foi alugar com vistas a vender.

Mas não é so o apartamento, e o resto? Móveis, carro, eletrônicos, utensílios, decoração...?

Vôos internacionais que partem do Brasil tem direito a 2 malas de 32kg e 1 mala de mão por pessoa. Ou seja, incluído na passagem aérea já temos pelo menos 128kg de carga para levar.

Digo vôos que partem do Brasil pois certa vez em outra viagem, tivemos que fazer conexão e acabamos pagando excesso de bagagem. Questionei a atendente no check-in e ela me disse que apenas vôos que partem do Brasil e da China tem por direito 2 malas de 32kg. Porque? Bom, segundo ela é por que são culturas que tradicionalmente compram e gastam mais em "coisas" do que em "experiências". Nem no aeroporto estamos livres de tomar uma cutucucada hein!?

Esquematizando...

Uma dica é que categorizamos as coisas de forma a fazerem sentido para o fim que dariamos a cada uma delas: bens de valor, bens de valor com depreciação, supérfulos e peso morto. Exemplos:

Apartamento - Bem de valor, sem desvalorização

Temos um apartamento novo, com menos de 2 anos, compramos na planta quando eramos namorados. Foi a realização de um sonho e principalmente o nosso primeiro lar depois de casados. Apego? Sim, temos. Vivemos alegrias e bons momentos nele? Claro que sim! Mas se algo que aprendemos com nossas viagens e com a vida é que não devemos nos apegar as coisas de forma que elas tornem-se um empecílio. Apegue-se as pessoas: familiares e principalmente aos amigos. Esses duram, agregam e jamais serão obstáculo. Os bens materiais podem ser conquistados, mas principalmente são apenas o palco do que foi vivido.

Vamos alugar nosso apartamento totalmente mobiliado. Isso já ajuda bastante, principalmente em relação a móveis.

Carro - Bem de valor, com depreciação alta - Venda logo!

Já leu Pai Rico, Pai Pobre - Robert Kiyosaki? Bom, se não leu, posso dizer que você começou com o pé esquerdo. Um carro é um passivo, logo venda-o imediatamente antes de partir para uma nova vida.

Eletrônicos, eletrodomésticos e afins - Supérfulos - Tem valor quando são lançados e só

Idem ao carro, com algumas exceções que podem agregar valor no valor do aluguél de um apto semi-mobiliado ou mobiliado. Videogame, adega, grill, cook top... tudo foi vendido para amigos ou desconhecidos - não recomendo a OLX nem o Bom Negócio, use o Mercado Livre, evita-se a dor de cabeça de receber ligações de alguém querendo trocar sua adega por 2 galinhas caipiras.

Geladeira, máquina de lavar, secadora e fogão por exemplo, foram mantidos pois como disse vamos alugar o apartamento mobiliado.

Decoração e Utensílios - Peso morto: o que você conseguir daqui é lucro

Tudo vendido para amigos. Neste último final de semana organizamos um bazar com o que ainda restou e chamamos os amigos para aproveitar ítens espetaculares por preço de banana - apesar que a banana anda cara mas você entendeu.

Roupas de Inverno - Peso morto

A menos que você tenha casacos de esquiar, qualquer roupa nossa de inverno definitivamente não é compatível para suportar neve e temperatuas negativas. Se vestir para o inverno Canadense requer um esquema de camadas - layers - que vou deixar para a esposa explicar em outro post.

Livros, muitos livros

Nós amamos ler. Eu prefiro e não me incomodo em ler em tela ou dispositivos e-ink. Nem lembro quando foi o último livro em papel que comprei. Já a esposa é o oposto, a idéia de ler em telas e gadgets para isso são desconfortáveis para ela. Logo temos tinhamos muitos livros. O que fizemos? Encontramos um sebo e vendemos alguns e a maioria foi doado para uma instuição de caridade. Foram ao todo duas malas grandes, completamente lotadas, mais duas caixas.

Esse foi um dos maiores desapegos materias da esposa, sem falar nos outros que ela já escreveu no outro post

Porque não levar móbilia e afins?

Chegamos a considerar essa possibilidade. Fizemos cotações em empresas que fazem o envio em containers por navio. O prazo médio de entrega é 60 dias e o preço médio que encontramos foi de U$ 5.000,00 (cinco mil verdinhas do tio Sam). A capacidade de 1 container é de 20 toneladas de carga, aproximadamente 33 metros quadrados. O custo inclui o transporte porta a porta (de ponta a ponta, sem supresas extras).

O prazo não foi fator de decisão, mas o custo sim. É dinheiro pesado, mas além disso, somos em 2,5 (eu, ela e birita). Não temos filhos. Logo nossos móveis são poucos. Temos muitos armários, mas são todos embutidos ou feitos sob medida.

Então racionalmente colocamos no papel quanto gastaríamos para mobiliar um apartamento no Canada. Descobrimos (como se fosse novidade) que somos extorquidos no Brasil. Pagamos caro por algo em que a qualidade não é das melhores. Já no Canada, os móveis são baratos e de qualidade. A conta foi desproporcionalmente favorável a não enviar nada. Em um outro post vamos contar como funciona aluguel no Canada - alguns móveis e eletromésticos já são, por lei, obrigatoriamente inclusos.

O que fazer com aquela cristaleira que está na família há séculos e ganhei da minha bisavó?

Ligue o Fod***. Repasse para outro familiar que vai cuidar, doe ou na última hipótese venda. Mas não deixe de viver e aproveitar por coisas, meros objetos, que são e sempre serão menores do que a própria vida - diga o que quiser, mas é verdade. Se mesmo assim for difícil demais pra você, envie para onde você estiver indo e pare com esse drama.